Diminui desigualdade de renda em Alagoas e nos Estados Nordestinos

Na semana passada, a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou o comunicado nº 120, cujo tema foi a “Evolução da desigualdade no rendimento domiciliar per capita nos municípios brasileiros”, o qual teve como um dos objetivos analisar a evolução da desigualdade no rendimento domiciliar per capita dos municípios em cada unidade da Federação. Nessa análise, as referências foram as informações primárias geradas pelo IBGE, por meio dos censos demográficos, nos anos 1980, 1991, 2000 e 2010. Vale destacar que a sistematização do rendimento domiciliar por habitante em cada um dos municípios possibilitou calcular a desigualdade por meio do índice de Gini. Como se sabe, o índice de Gini varia de 0 a 1, sendo maior a desigualdade no rendimento quanto mais próximo de 1. Considerando-se apenas a região Nordeste, no caso do rendimento domiciliar per capita médio no conjunto dos municípios em cada um de seus estados, denotam-se comportamentos distintos na evolução do grau de desigualdade nos últimos trinta anos. Em 1980, por exemplo, Sergipe (0,16) teve o menor grau de desigualdade, enquanto Pernambuco (0,21) registrou o maior índice de Gini. Por sua vez, em 2010, Ceará (0,11), Paraíba (0,11) e Rio Grande do Norte (0,11) apresentaram o menor grau de desigualdade, enquanto Maranhão (0,15) apresentou o maior índice de Gini. Na tabela abaixo, pode-se também observar que, entre 2000 e 2010, houve diminuição da desigualdade de renda em todos os estados nordestinos, provável conseqüência da consolidação da rede de proteção social brasileira (previdência rural, LOAS, Bolsa Família etc.), do substancial aumento real do salário mínimo e da melhoria do grau de escolaridade da população nordestina. A propósito, vale mencionar uma relação empírica encontrada com muita frequência em testes de variáveis macroeconômicas, a qual sugere que menor desigualdade de renda implica maior crescimento econômico. Entre 1991 e 2000, com exceção do Maranhão, no qual houve estabilidade da desigualdade, em todos os demais estados nordestinos houve diminuição da desigualdade de renda, provável conseqüência da “estabilidade de preços” implantada na economia brasileira em meados de 1994. De fato, a inflação “corrói” o valor da moeda e prejudica principalmente os mais pobres, que possuem menos mecanismos para se proteger dessa “corrosão”, aumentando, portanto, a desigualdade dos rendimentos entre os domicílios. Entre 1980 e 1991, em quatro estados nordestinos (Alagoas, Ceará, Pernambuco e Sergipe), houve estabilidade na desigualdade de renda. Na Bahia, por sua vez, houve aumento da desigualdade, a qual passou, segundo o índice de Gini, de 0,18, em 1980, para 0,20, em 1991. Em outras palavras, nos anos 1980, na maioria dos estados nordestinos, houve estabilidade ou aumento da desigualdade de renda entre os domicílios.

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