Violência e analfabetismo: Entidades criticam inércia do governo

A pesquisa do Censo 2010 divulgada pelo IBGE na última semana demonstrou a fragilidade do atual governo para resolver problemas históricos de Alagoas. Essa é a avaliação das lideranças sindicais do funcionalismo público que criticaram duramente o que consideram como resultado da falta de investimento e o abandono do serviço público. O Estado tem o maior número de analfabetos e a maior mortalidade de jovens no Nordeste, segundo a pesquisa do IBGE.
Alagoas tem 22,5% da população, com mais de dez anos de idade, analfabeta. É o maior percentual de analfabetismo, seguido de Piauí (21,1%), Paraíba (20,2%) e Maranhão (19,3%). A taxa no Estado é quase 13% maior que a nacional, 9,6%. Além disso, morre uma mulher a cada oito homens, como apontam os números da relação de 798 óbitos de homens para cada 100 mulheres mortas. A média do Brasil é de 419,6 óbitos de homens do grupo de 20 a 24 anos de idade para 100 de mulheres desse mesmo grupo de idade.
Segundo o presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar (Assomal), major Wellington Fragoso, “infelizmente em Alagoas”, a segurança pública não está sendo tratada com responsabilidade.
“O governo estadual investe muito pouco, não amplia o efetivo, não motiva, não melhora salários. Fomos enganados na data-base quando esperávamos um melhor patamar de vencimentos”, atacou. “O governo fechou os olhos para a segurança e com isso, tudo vai piorar. Veja o exemplo das pessoas que estão no HGE. Antes elas ficavam em enfermarias, agora estão em corredores, nem entram nos quartos. Isso parece hospital de campanha. Um absurdo”, criticou Fragoso.
A opinião dele pode ser somada à avaliação do presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Alagoas (Adepol), Antonio Carlos Lessa, que observou que a falta de políticas públicas propiciou uma verdadeira “explosão no consumo de drogas em Alagoas”. Ele vê com pessimismo a atual situação.   “As drogas são as responsáveis por este extermínio feito à população jovem. Por isso que se contabiliza em Alagoas o maior índice de morte de homens entre 20 e 24 anos do Brasil”, disse.
“A disputa de pontos de tráfico vem se alastrando e cada vez mais jovens morrendo. Asseguro que é necessário que o governo invista na segurança pública. A falta de investimento  amplia esse reflexo como mostrou a pesquisa.  Particularmente defendo que a Delegacia de Repressão às Drogas receba um investimento especial. Ela deveria ser um departamento, ter vários delegados, com equipes para um enfrentamento diferenciado nesta área que termina influenciando nos outros campos, pois o analfabetismo também é oriundo da ociosidade criada pelas drogas”, destacou Lessa.

Fonte: O Jornal