Brasil tem 6º maior PIB do mundo, mas ainda precisa melhorar padrão de vida

O Brasil ultrapassou o Reino Unido e já é a sexta maior economia do mundo. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro — soma de todos os bens e serviços produzidos — projetado pelo Centro de Pesquisas para Economia e Negócios (CEBR), sediado em Londres, chegará a US$ 2,52 trilhões este ano. À frente do Brasil estão França, Alemanha, Japão, China e Estados Unidos, o primeiro colocado. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o país ainda levará de 10 a 20 anos para atingir o padrão de vida europeu, mas garantiu que passará logo a França e a Alemanha, que estão com suas economias “em marcha lenta”. O PIB francês calculado pelo grupo inglês é de US$ 2,8 trilhões em 2011. No ano passado, a economia brasileira já havia passado à frente da Itália, que permanece na oitava posição.

“O Brasil tem superado os países europeus no futebol há muito tempo. Mas batê-los na economia é um novo fenômeno”, afirmou o chefe executivo do CEBR, Douglas McWilliams, responsável pelo relatório “Quadro da Liga Econômica Mundial”, divulgado ontem em todo o mundo. “Nosso estudo mostra como o cenário econômico global está mudando, com os países asiáticos e as economias produtoras de matérias-primas subindo na Liga, enquanto a Europa perde espaço”, completou.

O levantamento do CEBR teve destaque no jornal The Guardian e a notícia foi a mais vista da página do diário britânico na internet ontem pela manhã. Mas, apesar de toda a repercussão internacional, as diferenças entre Brasil e Reino Unido ainda são gritantes: basta lembrar a desigualdade social e as más condições de vida da população brasileira e a boa infraestrutura de transporte público e o nível de organização de Londres para sediar as Olimpíadas de 2012.

A renda per capita do brasileiro (resultado do PIB dividido pela população) de US$ 10,7 mil, em 2010, ainda está muito longe da dos súditos da rainha Elizabeth II. Corresponde a 29%, menos de um terço da renda per capita do britânico, de US$ 36,2 mil, conforme dados de um estudo recente do banco Goldman Sachs. Mesmo figurando entre as maiores economias do planeta, o Brasil ainda está na lista da vergonha no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU). No ranking com 187 países liderado pela Noruega, o país figura na 84ª colocação, atrás de vizinhos latino-americanos, como Chile, Argentina, México, Bahamas, Panamá e Venezuela.

Na avaliação do economista sênior para América Latina da Economist Intelligence Unit (EIU), Robert Wood, até 2030, a renda per capita do Brasil vai continuar sendo um terço da dos Estados Unidos. “Em outras palavras o Brasil vai levar pelo menos 25 anos para entrar na lista das nações de rendimento elevado”, disse.

Comemoração
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou o estudo do CEBR, antes de embarcar para São Paulo, mas reconheceu que “ainda há muito a ser feito para que o país atinja os mesmos níveis do Reino Unido, principalmente nas áreas social e econômica”. Na avaliação do ministro, o país ainda precisa se consolidar como a sexta maior economia do planeta. Para ele, as nações que mais crescerão nos próximos anos são as emergentes como China, Índia e Rússia, além do Brasil.

“Dessa maneira, essa posição será consolidada e a tendência é de que o país se mantenha entre as maiores economias do mundo nos próximos anos. Estamos caminhando a passos largos para que o Brasil, num futuro próximo, seja um país melhor”, declarou. O ministro reafirmou que o PIB brasileiro vai crescer em torno de 3% este ano e que tem capacidade de avançar acima de 4% nos próximos anos. O país ainda tem pouco menos da metade das riquezas do segundo do ranking, a China (US$ 6,99 trilhões), e apenas 16% do total da economia norte-americana (US$ 15,15 trilhões).

Europeus ficam para trás
O estudo do CEBR também faz projeções para os próximos anos. Em 2020, de acordo com o trabalho, o Brasil continuará em sexto lugar entre as maiores economias, com um PIB de US$ 4,26 trilhões, atrás de Estados Unidos (US$ 21,83 trilhões), China (US$ 17,88 trilhões), Japão (US$ 7,63 trilhões), Rússia (US$ 4,58 trilhões) e Índia (US$ 4,50 trilhões). Na sequência, estarão: Alemanha, França, Reino Unido e Itália.

Fonte: Correio Braziliense