Dilma vira referência para as presidentes dos países latinos

A presidente Dilma Rousseff passou a ser referência para as outras mulheres que ocupam os cargos políticos mais importantes da América Latina. A influência não se restringe a Cristina Kirchner, presidente reeleita da Argentina, que citou Dilma no discurso de posse no último dia 10. Em entrevistas ao Correio, a presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, e a diretora executiva da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), Michelle Bachelet, elogiam a atuação de Dilma no primeiro ano do mandato.

A América Latina tem três mulheres na presidência: Dilma, Laura e Cristina, a primeira da região a ser reeleita para o cargo. Bachelet governou o Chile entre 2006 e 2010 e, logo após deixar o cargo, passou a chefiar a ONU Mulheres, criada em julho de 2010. Em comum, as quatro foram as primeiras a serem eleitas para presidir seus respectivos países. Pela força econômica do Brasil, pelo simbolismo da eleição da ex-guerrilheira e pela influência da cultura brasileira, o governo da presidente Dilma passou a ser referência para as outras líderes políticas latinas.

Ao discursar na cerimônia de posse, Cristina citou a fotografia em que Dilma aparece diante de militares, na condição de presa política e depois de ter sido torturada, em um tribunal da ditadura militar. O ano era 1970. “Hoje, Dilma ocupa a cadeira presidencial de um dos países mais importantes do mundo”, disse Cristina no Congresso Nacional argentino. A presidente brasileira estava presente na posse.

A presidente de um país minúsculo na América Central, com 4,5 milhões de habitantes, estudou no Centro de Estudos Brasileiros, um dos mais procurados na capital, San José. Laura Chinchilla foi eleita para a Presidência da Costa Rica há quase dois anos, em condições semelhantes à de Dilma. Foi vice-presidente entre 2006 e 2010 e chegou ao posto máximo por conta da influência de seu antecessor, Oscar Arias, que está para Laura assim como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está para Dilma.

“Estamos muito interessados em aprofundar as relações comerciais com o Brasil. Em termos culturais, o Brasil já está muito presente na Costa Rica”, afirma Laura. A presidente da Costa Rica ainda espera um encontro com Dilma. Nas reuniões internacionais, “não coincidiu” de se encontrarem. “Cancelei praticamente todas as minhas viagens.”

Laura está às voltas com uma reforma fiscal, que vai elevar os tributos pagos pelos costa-riquenhos. “O Brasil tem uma das cargas tributárias mais altas da América Latina, em torno de 26%. Na Costa Rica, é de 13%, a metade do Brasil”, compara a presidente. Como Dilma, ela demitiu ministros. Foram oito em um ano e meio de governo, quantidade superior aos sete demitidos pela presidente brasileira.

Para Michelle Bachelet, Dilma acertou ao abrir espaço para mulheres em postos-chave do governo. “O governo Dilma conta com 10 ministras, que representam 27% dos cargos. É importante colocar uma ministra em áreas importantes. Todos os cargos são importantes, mas alguns são mais relevantes, como planejamento, articulação política e Casa Civil”, disse a ex-presidente do Chile, durante sua passagem pelo Brasil em meados de dezembro.

Bachelet se referia a Miriam Belchior, ministra do Planejamento, Ideli Salvatti, secretária de Relações Institucionais, e Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil. As duas últimas ganharam espaço no governo em função da crise política envolvendo seus antecessores.

Fonte: Correio Braziliense