Privatização da água também produz corrupção no meio político

Além de todos os prejuízos que a privatização da água causa do ponto de vista social e econômico, como aumento das tarifas e piora na qualidade dos serviços, a entrega da água ao setor privado é também motivo de corrupção, conforme matéria veiculada pelo site congressoemfoco.uol.com.br, no dia 11 de junho de 2020, onde denuncia que atual governador do Mato Grosso Mauro Mendes – DEM, está sendo acusado de receber propina em processo de privatização da água da cidade de Cuiabá, quando era prefeito. Esse é mais um motivo de preocupação do Sindicato dos Urbanitários com a privatização da água em Alagoas, que está previsto para ocorrer em setembro de 2020.

 

Segundo o site, o empresário Mario de Queiroz Galvão afirmou, em acordo de delação premiada homologado no Supremo Tribunal Federal (STF), que pagou pelo menos R$ 1 milhão em propina para o governador em outubro de 2012 e fevereiro de 2013, em três parcelas. Segundo o delator, o núcleo político de Mendes havia pedido ao grupo R$ 6 milhões, mas não foi atendido. Diante das denúncias, a CAB Ambiental, que gerenciava o sistema de água em Cuiabá, transferiu em 2017, o serviço para a empresa Iguá Saneamento S.A, que possui aporte financeiro do Banco Bradesco, Banco Votorantim, BNDESPar e RK Partners Investimentos (RKP).

 

Mario Galvão conta que fez a doação para a campanha municipal de Mendes, quando ele foi prefeito de Cuiabá, esperando a manutenção da concessão dos serviços de água e esgoto do município com a CAB Ambiental, empresa que pertencia ao grupo Galvão Engenharia. De acordo com o empresário, foram feitos dois pagamentos na época, um no valor de R$ 400 mil, em 2 de outubro de 2012, e outro de R$ 100 mil, em 23 de outubro.

 

“Estava implícito que as doações serviriam para manter um bom andamento do contrato se eleito Mauro Mendes”, diz trecho da delação. Os recursos foram transferidos para o diretório nacional do PSB, partido de Mendes na época, e, então, repassados para a candidatura. Doações empresariais eram permitidas naquele ano, desde que fossem declaradas à Justiça eleitoral.

 

Mais propina

Ainda segundo matéria do site congressoemfoco.com.br, Mario de Queiroz Galvão também acusa o então presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) à época, Jandir Milan, de ter solicitado R$ 6 milhões em benefício de Mauro Mendes, de quem é amigo particular. Como se negou a atender ao pedido, alegando que a empreiteira não tinha condição financeira de fazer o pagamento, em fevereiro de 2013, a Agência Municipal de Regulação de Serviços Delegados (Arsec) deixou de aplicar reajuste da tarifa de água de 14,98%, previsto em contrato, e reduziu o valor da tarifa em 0,92%. A medida foi classificada pelo delator como uma retaliação de Mauro Mendes por conta do não pagamento da propina de R$ 6 milhões.

 

Diante do impasse, a Galvão Engenharia transferiu R$ 500 mil para o Diretório Municipal do partido em Cuiabá, então controlado por Mauro Mendes. Mario também revela que foram feitos pagamentos “em espécie”, mas não diz se foi referente a uma nova propina referente aos R$ 6 milhões solicitados.

 

Propina para vários políticos

A matéria do site congressoemfoco.uol.com.br informa ainda que a delação da empreiteira também envolve outras importantes figuras da política mato-grossense. Mario de Queiroz Galvão disse que, em 2011, o grupo desembolsou R$ 44 milhões em propina para o então prefeito de Cuiabá, Francisco Bello Galindo Filho, o Chico Galindo (PTB). O repasse, segundo o delator, foi feito para que a CAB Ambiental vencesse a licitação de saneamento básico na capital.

 

De acordo com o empresário, os R$ 40 milhões foram incluídos em contratos celebrados entre a Galvão Engenharia e construtoras de Mato Grosso, a maioria delas ligadas a políticos. Ele contou que foi realizado um contrato de R$ 7,4 milhões com a Construtora Nhambiquaras Ltda., que pertence à família do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Eduardo Botelho (DEM). O empreiteiro afirmou que outro contrato, de R$ 10,8 milhões, foi fechado com a Três Irmãos Engenharia Ltda., ligada ao deputado estadual Carlos Avalone (PSDB), da base aliada do governador Mauro Mendes.

 

A propina, prosseguiu o delator, também foi repassada, no valor de R$ 11,7 milhões, por meio de contratos fictícios com a HL Construtora Ltda, que tem como sócios Rute Cardoso Cassique e Everton dos Santos. Um contrato de R$ 6,4 milhões também foi feito com a Eletroconstro Prestação e Terceirização de Serviço Ltda., que tem como proprietários Natalino José de Toledo e Thays Laura Martins da Silva, segundo Mario de Queiroz Galvão.

 

FONTES:

– https://congressoemfoco.uol.com.br/corrupcao/exclusivo-governador-de-mato-grosso-e-acusado-de-receber-propina/

– http://www.plancorp.com.br/bak/news/private/1804-bndes-destinara-r-10-bilhoes-para-estimular-novo-mercado-de-renda-fixa.html

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