Equatorial cancela negociação das horas-extras e empurra trabalhadores para a Justiça
Em mais um capítulo de desrespeito com seus trabalhadores, a Equatorial pediu o
cancelamento da negociação sobre a ação das horas-extras que estava marcada para o dia 19 de maio.
A reunião era aguardada há meses como a última chance de acordo antes da sentença.
Com a decisão unilateral da empresa, não há mais mesa de conversa.
O caso agora segue direto para julgamento na Justiça do Trabalho, que deverá dar o veredito final.
A atitude não foi apenas inesperada. Foi desrespeitosa. Trabalhadores, sindicato e advogados estavam mobilizados para fechar um entendimento sobre um direito básico: o pagamento correto das horas trabalhadas além da jornada.
Ao desistir na véspera, a Equatorial não apresentou proposta, não apresentou justificativa plausível e não apresentou respeito.
Apresentou apenas mais uma manobra de adiamento.
Esta ação das horas-extras se arrasta há anos nos corredores da empresa e dos tribunais.
São eletricistas, atendentes, técnicos e equipes de campo que cobrem plantões, emergências em dias de chuva, madrugadas em postes, finais de semana sem descanso, e que até hoje não viram o reconhecimento financeiro desse esforço.
Com o cancelamento de hoje, a Equatorial consegue exatamente o que quer: ganhar tempo.
Empurra a decisão para frente, aposta no cansaço da categoria e transforma um direito líquido em uma batalha judicial interminável.
A empresa trata o processo como planilha de custo. Para o trabalhador, é conta de luz atrasada, é remédio que falta no fim do mês, é tempo roubado da família.
O Sindicato vai pedir celeridade ao tribunal e cobrar que a Equatorial responda na Justiça pelo que se recusou a resolver na mesa.
O cancelamento não encerra a luta, ele escancara a postura da empresa: fugir do diálogo, protelar o pagamento e jogar nas costas do Judiciário uma responsabilidade que deveria ter sido assumida há muito tempo.
A luta continua!
