Governo gasta R$ 6 milhões com locação de helicópteros

Ao todo, o governo do Estado gasta, por ano, no mínimo, R$ 5,7 milhões com o uso de helicópteros alugados. São duas as aeronaves locadas que são utilizadas pelo Estado: uma pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e outra que é utilizada pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), quando a unidade oficial está em reparo. Ambas são locadas e recebem manutenção pela “Fly One – Táxi Aéreo” – empresa com sede no Rio de Janeiro. Cada uma delas custa R$ 240 mil por mês podendo até ampliar, já que o contrato é de 60 horas de vôo mensais. Apenas um detalhe chama muita atenção nesta história. E detalhe: a unidade usada pelo governo fica guardada em um galpão no município de Penedo e só voa quando o assunto é do interesse do governador.
O governo estadual possui hoje apenas um helicóptero em sua frota própria. Um modelo Long adquirido no governo Geraldo Bulhões, em 1992 e que vive no conserto.
Para completar a situação de penúria, a atual gestão, sob o comando do secretário Dário César Cavalcante, optou pela extinção da Diretoria Integrada de Operações Aéreas da Defesa Social (DIOPAER) com a Lei Delegada 45, editada no início do ano. Com isso, os militares alegam que a violência aumentou. “Não consigo entender por qual motivo o governo dispensa a compra de um helicóptero e paga um valor altíssimo para locação de uma máquina que fica parada a serviço do governador”, conta um policial, preferindo não se identificar com medo de represálias. “Fora isso é de se questionar este valor altíssimo que está sendo pago por essas aeronaves”, acrescentou.

EM CAIXA
A Secretaria de Defesa Social guarda em caixa cerca de R$ 7 milhões que deveriam ser investidos na segurança pública com a aquisição de um helicóptero para uso no policiamento aéreo. Esse dinheiro pode ser perdido há qualquer momento caso o governo federal resolva exigir o cumprimento do convênio que cedeu os recursos para compra da aeronave. A iniciativa surgiu em 2008, quando o Ministério da Justiça reforçou a política de segurança no policiamento aéreo em Alagoas, que à época já contava com uma unidade – um modelo Schweizer 300 CDI – que caiu em 2009, em um acidente no Tabuleiro. O equipamento tinha sido repassado ao Estado após o Pan – 2007, no Rio de Janeiro.

SDS confirma que existe projeto para a compra

A Secretaria de Defesa Social confirma que o projeto para compra de um helicóptero existe, mas discorda dos valores e da possibilidade de que os recursos sejam perdidos. O problema alegado é de que durante a licitação em 2010, já na fase externa, a Procuradoria-Geral do Estado localizou uma falha no edital e orientou a suspensão do processo. “A Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) garantiu ao secretário que os recursos não serão perdidos. Não procedem as informações de que o Estado pode perder estes R$ 6 milhões”, informou a assessoria da SDS, confirmando que uma nova licitação está sendo gestada para o próximo mês de dezembro. A SDS não justificou o atraso de três anos para adquirir a aeronave.
Com este dinheiro seria possível comprar de uma vez só 234 veículos do modelo Volkswagen Gol 1000, quatro portas, com direção hidráulica e ar condicionado, com valor médio de R$ 29,9 mil. Ou seria possível pagar o salário de um mês de 3.805 soldados da Polícia Militar, que hoje percebem vencimentos de R$ 1.840,00 após um ano de ingresso na tropa. Se o valor for transformado em casas populares, seriam 166 no mesmo modelo que está em construção para as famílias vítimas das enchentes, com valor unitário de R$ 42 mil, valor divulgado pelo governo.

Descaso no setor teve início no governo Vilela

“Aqui a política sobrepõe a técnica”, comenta um militar indignado com o abandono do projeto de comando aéreo iniciado em 1999. Alagoas tinha um sistema pioneiro no Nordeste. O governo estadual custeou a formação de 13 pilotos e mecânicos para o trabalho. Cada profissional formado não saiu por menos de R$ 200 mil. Assim que o governo assumiu, em 2007, modificou a estrutura do então Departamento Tático de Operações Aéreas do Estado de Alagoas criando a Diretoria Integrada de Operações Aéreas da Defesa Social que terminou não resistindo e sendo extinta com a Lei Delegada.
Segundo o mesmo grupo de militares, a ausência de uma aeronave contribuiu verticalmente para o avanço da violência. “O serviço de inteligência da PM confirmava que os ‘malas’ tinham medo do helicóptero. Eles sabiam que podiam ser mais facilmente encontrados durante um plano criminoso. Foi por isso que os assaltos a banco praticamente desapareceram quando as rondas aéreas estavam sendo feitas”, afirmou. “Um mês depois da suspensão dos vôos o Anderson [Pedrosa, policial civil] foi morto”, contou, relembrando o assalto a agência da Caixa Econômica da Rua do Sol, que terminou com o assassinato do integrante do Tigre.